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segunda-feira, 20 de abril de 2009

Meio ambiente – Aumenta a concentração de mercúrio no oceano


De acordo com os resultados de um novo estudo, os níveis de mercúrio no Oceano Pacífico estão subindo. A alta pode significar que mais metilmercúrio, uma neurotoxina humana formada quando o mercúrio é metilado por micróbios, se acumule em peixes marinhos como o atum.

A pesquisa surge em um momento no qual cientistas e autoridades, que até agora se preocupavam mais com a concentração atmosférica do elemento, estão começando a busca por um quadro mais amplo quanto ao ciclo do mercúrio. As diretrizes do governo norte-americano quanto ao teor aceitável de metilmercúrio em peixes estão sob revisão.

Não se sabe ainda ao certo de que maneira o mercúrio atmosférico, quer lançado diretamente no oceano, quer transportado pelos rios ou depósitos costeiros, é metilado e por fim absorvido pelos peixes, que representam uma das fontes primárias de exposição humana ao metilmercúrcio. Mas novos dados, recolhidos por Elsie Sunderland, bióloga da Universidade Harvard, e seus colegas também propõem um possível mecanismo para a metilação de mercúrio no oceano.

Os pesquisadores recolheram amostras na parte leste do Pacífico Norte, uma área que também havia sido monitorada em cruzeiros de pesquisa conduzidos por cientistas norte-americanos em 1987 e 2002. Eles estimaram que o mercúrio metilado responde por até 29% de todo o mercúrio contido sob as águas do oceano, com menores concentrações presentes em massas de água mais profundas. Os modelos de computador desenvolvidos pelo grupo indicam que a deposição atmosférica de mercúrio poderia, até 2050, conduzir a uma duplicação das concentrações totais de mercúrio no oceano, ante os níveis existentes em 1999.

A equipe também encontrou uma relação entre os níveis de mercúrio metilado e carbono orgânico. Segundo os cientistas, partículas de carbono orgânico, originado de fitoplâncton ou outras fontes, podem oferecer superfícies sobre as quais os micróbios seriam capazes de metilar mercúrio no oceano. O mercúrio metilado seria posteriormente liberado na água.

Não se tem ainda um mecanismo causal para o fenômeno, mas ele parece estar vinculado ao bombeamento biológico do oceano. Resultados anteriores de observações conduzidas no Pacífico Sul e na região equatorial do mesmo oceano, localizaram concentrações semelhantemente altas de metilmercúrio nos locais onde a atividade biológica era mais elevada. A conexão tem implicações para a mudança do clima e para o ciclo do mercúrio. Oceanos mais quentes e mais produtivos, com mais fitoplâncton e mais peixes, poderiam elevar o volume de mercúrio metilado que termina nos pratos humanos.

Os pesquisadores também propuseram a hipótese de que as águas do oeste do Pacífico podem estar recebendo mercúrio depositado devido à elevação das emissões atmosféricas da Ásia, e de lá se deslocando para o nordeste do Pacífico. O oceano agora só pode estar respondendo a cargas de mercúrio mais elevadas geradas por deposição atmosférica passada, diz Sunderland. Daniel Cossa, do Instituto Francês de Exploração e Pesquisa Marítima (Ifremer), em La Seyne-sur-Mer, e seus colegas recolheram dados sobre mercúrio no Mar Mediterrâneo, para artigo a ser publicado em maio pela revista Limnology and Oceanography.

Os dois estudos indicam que nem todo o mercúrio metilado vem diretamente de fontes costeiras ou fluviais, e confirmam que ocorre metilação em profundidades moderadas nas águas oceânicas, de acordo com Nicola Pirrone, co-autor do estudo dirigido por Cossa e diretor do Instituto de Poluição Atmosférica do Conselho Nacional de Pesquisa Italiano, em Rende. Para ele, que também comandou a avaliação científica sobre o mercúrio conduzida no ano passado pelo Programa Ambiental das Nações Unidas, o oceano é uma grande lacuna no ciclo do mercúrio.

Robie Macdonald, especialista em mercúrio em águas árticas no Departamento Oceânico e de Pesca do Canadá, diz que embora o mercúrio na atmosfera tenha se elevado em cerca de 400% nos últimos 100 a 150 anos, as concentrações parecem ter aumentado em apenas 30% nos oceanos. "Nós estivemos tão ocupados observando a atmosfera que não nos preocupamos com o oceano", ele diz. "Ambos os estudos são realmente importantes, no que tange a chamar a atenção da comunidade científica quanto aos efeitos e riscos do mercúrio".

Quaisquer medidas de controle do metilmercúrio, porém, precisam levar em conta que volume vem de fontes naturais inevitáveis e que volume é gerado por fontes antropogênicas como a combustão de combustíveis fósseis, aponta Pirrone.

A controvérsia quanto a isso continua. A falta de dados quanto às alterações no nível de metilmercúrio em peixes, e quanto às origens naturais ou antropogênicas do composto, levou um tribunal da Califórnia a decidir em março de 2009 que as empresas que produzem atum em lata não precisam informar em suas embalagens sobre o teor de metilmercúrio em seus produtos. A Food and Drug Administration (FDA, agência federal norte-americana que regulamenta alimentos e remédios) está avaliando suas normas quanto ao risco de consumo de metilmercúrio em peixes.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Pesca - Atum azul pode ser extinto em três anos


Na véspera do início da temporada de pesca no Mediterrâneo, que dura dois meses, pesquisadores do WWF afirmaram que a pesca desenfreada pode eliminar dentro de três anos a população de atum azul (Thunnus thynnus) em idade de procriação no Atlântico e só uma dramática redução da pesca poderá salvar esse peixe, um dos maiores e mais rápidos predadores do oceano. As análises demonstraram que os atuns azuis com 4 anos de idade ou mais, a idade da desova, irão desaparecer até 2012.

Com sua carne vermelha, o atum azul chegou a alimentar os exércitos romanos, na forma de peixe seco. A espécie, que pode alcançar mais de meia tonelada e é mais rápido do que um carro esporte, é muito usado em sushis.

A demanda japonesa provocou uma explosão no tamanho da frota pesqueira do Mediterrâneo na última década, e muitos desses barcos usam ilegalmente aviões para localizar cardumes. Segundo os ambientalistas, é absurdo e indesculpável abrir uma temporada de pesca quando os estoques da espécie-alvo estão acabando.

Grupos ambientalistas condenaram um acordo assinado em novembro por vários governos, especialmente europeus, para estabelecer quotas de pesca do atual azul. O grupo considera as quotas "um desastre" e "uma desgraça", e diz que os países novamente preferiram ignorar seus próprios cientistas, já que as quotas são 47% superiores ao que foi recomendado.

De acordo com o WWF, dados oficiais mostram que o tamanho médio dos atuns adultos caiu a menos da metade desde a década de 1990, e que isso teve um impacto ainda maior sobre a espécie, pois peixes maiores produzem mais crias. Os ambientalistas dizem que o atum azul só será salvo se a pesca parar completamente nos meses de maio e junho, quando o peixe atravessa o estreito de Gibraltar e se espalha pelo Mediterrâneo.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Crime ambiental - Operação Impacto Profundo II apreende 1,5 t de camarão sete barbas


Em mais uma ação no litoral sul do estado do Espírito Santo, a Operação Impacto Profundo II do Ibama multou a Peixaria Lima Pescados, em Piúma, por manter 1,5 tonelada de camarão sete barbas sem declaração de estoque durante o período de defeso do camarão. A multa foi de R$ 40 mil.

Pelos indícios encontrados no local, a peixaria já mantinha o pescado congelado antes do final da primeira etapa do defeso, pois não existe a possibilidade dessa quantidade de camarão ter sido congelada em tão pouco tempo.

O camarão apreendido será doado para instituições de caridades registradas junto ao Ibama. Ainda no município do Piúma, outra peixaria foi multada por possuir no estoque 20 Kg de lagosta descaracterizada.

As peixarias autuadas possuem 20 dias para registrar sua defesa junto ao Ibama e também responderão a processo criminal junto ao Ministério Público de sua cidade. Mais ações da Operação Impacto Profundo II vão acontecer durante todo o mês no litoral sul do Espírito Santo.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Mudanças climáticas - Óleo de peixe pode suavizar flatulências de ruminantes, reduzindo o efeito estufa


Vocês devem estar pensando que é brincadeira, né? Mas poucos sabem como os ácidos graxos dos peixes servem para combater a mudança climática! É o que conclui o estudo desenvolvido por uma equipe de pesquisadores do University College de Dublin, na Irlanda. Os cientistas estudaram o efeito que exerce o óleo dos pescados nas bactérias produtoras de gás metano presentes no intestino dos ruminantes.

A inclusão de uma pequena quantidade de óleo de peixe na dieta dos bovinos, caprinos e ovinos pode contribuir para reduzir suas flatulências, uma grande fonte de gases que causam o efeito estufa. Eles garantem que a produção de metano pelos animais cai em até 25%.

A cada ano, as bactérias que vivem no aparelho digestivo de vacas, cabras e ovelhas produzem 900 bilhões de toneladas de metano (CH4), um gás poluente mais potente que o dióxido de carbono (CO2) e com grande capacidade para absorver o calor do sol e aumentar assim a temperatura do planeta.

Ração com óleo de peixe

A função dessas bactérias é ajudar ao animal a decompor os alimentos (o feno tem alto conteúdo de fibras e é de difícil digestão), em processo no qual se produz metano como resultado de diversas reações químicas.

Apesar da quantidade de metano derivada da ação do homem ser muito menor que a do gado, a ciência começou a estudar formas de reduzir as flatulências dos ruminantes e a sugerir suplementos alimentícios que o consigam.

O estudo microbiológico desenvolvido pelos pesquisadores, descobriu que espécies de bactérias são mais afetadas pelo óleo de pescados e, melhor ainda, descobriram como fazê-lo. Com apenas uma quantidade de 2% deste óleo na alimentação, alteraram de forma significativa a digestão dos ruminantes e o tipo de micróbios envolvidos. Os especialistas advertem apenas que a adição dessas gorduras, procedentes de animais, a espécies herbívoras deve ser muito pequena, já que quantidades grandes podem ser nocivas à saúde delas.

Agora você já sabe! Se você mora na área rural e/ou cria alguns desses animais, e está cansado de respirar aquele ar abafado e mau cheiroso dos currais e estábulos, ou mesmo de pastagens mal cuidadas, lembrando o Seu Creison, "seus problemas acabaram-se!!!". Para diminuir o odor dos puns de suas queridas vaquinhas, ovelhas ou cabras, consulte um veterinário para orientá-lo de como ministrar produtos que contenham o óleo de peixe em suas fórmulas associando-o à ração de seus animaizinhos! E aí é só sair pra galera! Tchau fedor! Tchau efeito estufa! Volte a respirar o ar puro e saudável dos campos e colabore para melhorar o clima do planeta!