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quinta-feira, 9 de abril de 2009

Amazônia - Gado, garimpos e plantações tomam lugar da floresta


A cena é corriqueira no interior do Pará: em uma marcha vagarosa, vaqueiros conduzem o rebanho de centenas de cabeças de gado sobre a estrada, enquanto carros esperam os animais passarem. Nesse ritmo lento, mas constante, o boi vai invadindo áreas que por lei deveriam ser preservadas.

Só na Floresta Nacional do Jamanxim, no oeste do Pará, há mais de 200 mil cabeças. A área protegida foi estabelecida há três anos, mas muitos produtores rurais que estavam lá antes da criação da reserva permanecem no local à espera de uma solução.

A pecuária é a última etapa de um processo de desmatamento que começa com a derrubada das árvores para vender a madeira e segue com a queimada para limpar a área. Essas atividades já consumiram um quarto da floresta que fica na área de influência da rodovia BR-163, que vai de Cuiabá, em Mato Grosso, a Santarém, no Pará. Um estudo do Ministério do Meio Ambiente mostra que, entre novembro do ano passado e janeiro deste ano, a região foi uma das mais devastadas do país.

Em qualquer época do ano, caminhões madeireiros trafegam tranquilamente. Quem tenta combater a ilegalidade enfrenta dificuldades. Recentemente, funcionários do Ibama permaneceram ilhados na sede do instituto, pois um dia antes, haviam sido ameaçados porque apreenderam caminhões com madeira ilegal. Para evitar confrontos, os fiscais foram orientados pela direção do Ibama a não deixar o prédio.

O garimpo é outro vilão, sempre à espera de uma oportunidade para se expandir. É o que ocorre em União do Norte, em Mato Grosso. O dono de um garimpo ilegal já atua em dois terrenos, arrendados de pequenos produtores. Ele retira um quilo e duzentos gramas de ouro por mês, e faz propostas para expandir o garimpo, que já poluiu a água de um dos córregos locais.

A agricultura completa o ciclo de interesse nas terras da floresta. No Pará, ao longo da BR-163, ela pouco se desenvolveu. Mas em Mato Grosso, encontrou terreno fértil na chamada mata de transição do Cerrado para a Amazônia. Num sobrevoo pela região, a paisagem mostra que a vegetação original hoje se reduz a quase nada. Onde não há soja, está o milho, o arroz e o algodão.

E assim se foi a nossa Mata Atlântica, vem se acabando o Cerrado e a nossa Floresta Amazônica.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Meio Ambiente - Ações mirabolantes, resultados desconcertantes I



Fracassou novamente a tentativa do IBAMA de leiloar animais apreendidos no Pará, os chamados "bois piratas", numa operação para reprimir a pecuária em unidades de conservação. Nenhum dos lotes ofertados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) teve proposta de compra, e os 3.046 animais ainda não foram vendidos.

Na semana passada, tanto a Conab quanto o IBAMA justificaram que o fracasso da primeira tentativa era "
normal", por se tratar da primeira operação com esse tipo de produto. Os técnicos das duas entidades disseram que fariam ajustes para o remate desta segunda-feira (21) mas as alterações não surtiram o efeito desejado. Uma das mudanças foi a redução de 3.500 para as 3.046 cabeças. Além disso, o valor total dos quatro lotes ofertados recuou de R$ 3,9 milhões para R$ 3,15 milhões.

De acordo com avalização do Ministério do Meio Ambiente e do IBAMA, três fatores contribuíram para a não comercialização do gado nesse segundo pregão: o preço, o custo do transporte do rebanho devido à localização e o anúncio, feito por políticos da região, de qua a retirada do gado não seria pacífica.

O leilão foi organizado dentro do sistema eletrônico de comercialização da Conab, que opera em conjunto com as bolsas de mercadorias. Os animais estão divididos em seis lotes, com separação de touros, vacas, novilhos e bezerros.

Boi pirata

Na última semana, houve visita ao local de confinamento por negociadores, depois de agendamento feito pelo IBAMA, que está encarregado de fiscalizar o rebanho.

Analistas disseram que as informações presentes no edital não foram suficientes para atrair possíveis compradores. Além disso, os preços mínimos estabelecidos pelo governo estão acima das médias do mercado. Na oferta desta segunda, por exemplo, o valor de um touro era de R$ 3.150. O valor médio das vacas foi de R$ 78,82 por arroba, bem acima da média de R$ 70 pago pela arroba de fêmeas no Pará.

Ainda segundo os analistas, a forma com que o governo está querendo vender esses animais não é a mais adequada. Para eles, o governo terá de filmar os animais, fotografar, dar um peso médio, a idade dos animais e conceder informações mínimas para despertar o mínimo de interesse.

Diante do fracasso, a Conab marcou para o dia 28 de julho um novo leilão. Será a terceira tentativa de comercializar os animais. O IBAMA garantirá a segurança necessária à retirada dos animais pelo ganhador do leilão. O gado continua confinado na área de preservação ambiental onde foi apreendido.
O governo acredita que em torno de 40 mil cabeças de gado são criados em áreas de unidades de conservação na Amazônia.