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quarta-feira, 27 de maio de 2009

Nuclear - Vazamento em Angra 2. Você sabia?


Somente ontem, 26 de maio, 11 dias após o fato, um vazamento de material radioativo da Usina de Angra 2 foi comunicado à população! Segundo a Eletronuclear, o acidente ocorreu por volta das 16:15 do último dia 15, quando uma peça contaminada era raspada para a retirada de material radioativo, um processo rotineiro, um funcionário não teria desconectado o sistema de ventilação, o que fez com as partículas raspadas se espalhassem, levando ao acionamento do alarme de termonuclear.

Seis trabalhadores foram contaminados por urânio, quando faziam a descontaminação de um equipamento. Ainda segundo a empresa, o acidente não causará problemas de saúde a eles, que foram contaminados em níveis abaixo de 0,1% dos limites estabelecidos pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen). Os funcionários passaram por processo de descontaminação e a empresa também garantiu que a contaminação não terá impacto no meio ambiente ou para os moradores de Angra dos Reis e que a Comissão Nacional de Energia Nuclear e o Ministério de Minas e Energia foram avisados, o que é contestado pela Sociedade Angrense de Proteção Ecológica (Sape), que considera o acidente grave. A organização afirma que a Defesa Civil do município foi avisada somente no dia 18, três dias após a ocorrência. A Eletronuclear rebate e reitera que a comunicação foi feita no mesmo dia do vazamento. O Brasil só soube ontem através dos meios de comunicação.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Nuclear - Usina Angra 3 é retomada sem nova licitação


Com o canteiro de obras paralisado desde 1986 (23 anos), as obras da Usina Angra 3 serão retomadas sem que nenhuma licitação fosse aberta. A concorrência ganha pela construtora Andrade Gutierrez em 1983, no governo de João Baptista Figueiredo (1979-1985), foi renovada.

A falta de recursos públicos fez com que a construção tivesse de ser suspensa em 1986. Hoje, porém, a obra faz parte do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e estima-se que seu custo tenha saltado de US$ 1,8 bilhão para cerca de US$ 3,3 bilhões. A alta se deve à variação cambial, segundo a Eletronuclear, estatal subsidiária da Eletrobrás, responsável por operar e construir as usinas termonucleares no país. O canteiro de obras de Angra 3 foi preservado ao custo de US$ 20 milhões por ano, pagos pelo governo à construtora. Nesta próxima semana, serão feitas a escavação e a preparação de edificações de apoio à obra.

Segundo a empresa, o governo brasileiro tem a obrigação legal de cumprir todos os acordos fechados para construir Angra 3, ainda que eles tenham sido assinados 26 anos atrás e estejam paralisados há décadas. Já a Andrade Gutierrez, que está entre os maiores doadores do PT, nega favorecimento, afirmando que o contrato é legal e que ao longo desse período, manteve suas instalações em funcionamento e atualizadas. A construtora Camargo Corrêa, uma das que tentaram reverter a decisão do governo, não quis comentar o assunto.

Canteiro de obras de Angra 3

Os equipamentos de instrumentação e controle serão fornecidos pela fabricante Areva, que herdou o acordo original da alemã Siemens KWU. A Areva é uma fusão da empresa alemã com a francesa Framatome.

No ano passado, o Tribunal de Contas da União não impediu as revalidações, mas fez ressalvas, destacando que Angra 3 apresentava indícios de irregularidade grave, que não recomendariam, todavia, a paralisação do empreendimento.

Angra 3 é a terceira usina nuclear brasileira e terá potência de 1,35 mil megawatts. Cerca de 60% do material necessário para a construção da usina foi adquirido junto com a compra dos materiais de Angra 2. Os equipamentos já comprados equivalem a US$ 750 milhões.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Nuclear - 54% das instalações radioativas brasileiras não têm controle


A auditoria dos técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU), após 4 meses, resultou num relatório sobre a segurança do programa nuclear brasileiro que aponta falhas preocupantes. Segundo os técnicos, 54% das instalações que contêm equipamentos radioativos, como hospitais e fábricas, funcionam de forma irregular, sem autorização para operar. Resumindo: sem qualquer controle.

Dos equipamentos usados em radioterapia de pacientes com câncer, 14% estão sem licença e 45% das unidades não são fiscalizadas. O documento faz críticas ao plano de emergência das usinas de Angra dos Reis e acusa a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia que comanda o programa nuclear, de permitir que mais da metade das instalações radioativas do país funcione de forma irregular.

Após a divulgação do relatório, a Câmara dos Deputados se manifestou, informando que a Comissão de Meio Ambiente irá investigar as falhas de segurança no programa nuclear brasileiro apontadas pela auditoria do TCU.

O presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), Odair Dias Gonçalves, e os dirigentes da Eletronuclear, empresa que opera as usinas de Angra dos Reis, serão convocados para explicar problemas como a falta de licenças para o funcionamento de 54% das instalações radioativas em atividade em fábricas e hospitais espalhados pelo país. Segundo o Deputado Federal Fernando Gabeira, o relatório mostra que o Brasil não está imune a um novo acidente como o do césio-137, que matou quatro pessoas em Goiânia, em 1987.

Além da baderna que se instalou no país pela inoperância e irresponsabilidade do Poder Público, deixando funcionar esses estabelecimentos clandestinos, não devemos nos esquecer que o próprio relatório critica o plano de emergência das usinas de Angra dos Reis, alerta constante de ambientalistas e matéria corriqueira aqui no blog. O Brasil não está imune somente a acidentes como o de Goiânia. Está sujeito a todo tipo de acidente nuclear, inclusive e principalmente, os que podem ocorrer nas termonucleares de Angra dos Reis. É irresponsabilidade por toda parte nesse país. E eles já decidiram construir Angra 3 e mais 50 usinas atômicas espalhadas pelo país. E todos continuam soltos.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Meio ambiente - Angra ganha primeiro grande depósito de lixo nuclear


A Eletronuclear substitui amanhã o primeiro grande equipamento da usina nuclear de Angra I e o Brasil entra na era da armazenagem do rejeito nuclear de grande porte. Os geradores de vapor serão trocados e levados a um depósito inicial no terreno da central nuclear, com capacidade para armazenar o equipamento por um período de 50 a 100 anos.

O primeiro gerador será transferido amanhã e o segundo na próxima semana. O uso do depósito foi autorizado pelo Ibama no dia 3 de fevereiro.


A operação é complexa e pode ser vista como ensaio daquilo que ser
á necessário fazer ao fim das operações da primeira usina nuclear brasileira. Em 24 de janeiro, Angra I foi desligada do sistema elétrico nacional para efetuar a mudança. O retorno da usina ao sistema está previsto para 6 de junho.

A Eletrobrás gastará R$ 724 milhões na troca de equipamento. Segundo técnicos o gerador substituído foi fabricado pela Westinghouse, com base em um projeto da década de 1970, sendo um rejeito de grande porte, mas de baixa a média radioatividade e o prazo para que ele possa ser descartado no ambiente é de 60 a 100 anos. Os novos geradores foram fabricados pela Nuclep, no Brasil, com tecnologia da empresa francesa Areva.

Os geradores são responsáveis pela produção do vapor usado para movimentar as turbinas e o gerador de energia elétrica. O equipamento fica dentro da área de contenção. Dentro de seus tubos circula água que tem contato com o reator. Ele gera vapor usando o calor da energia da fissão nuclear.

Em breve, também a tampa do vaso do reator de Angra I terá de ser substituída e seguirá para o mesmo depósito dos geradores. A usina foi licenciada com vida útil até 2025, mas a Eletronuclear prepara estudos para prolongar sua operação até 2045.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Meio ambiente - Ministro do Meio Ambiente anuncia licença para Angra 3 com "exigências brutais"


O ministro do Meio Ambiente, "declaradamente contrário" à energia nuclear, informou que a Licença de Instalação da terceira usina nuclear brasileira, Angra 3, no Rio de Janeiro, será liberada nesta quarta-feira (23).

A licença será expedida com “exigências brutais", disse o ministro. A Eletronuclear, responsável pela construção da unidade, terá
que encontrar uma solução definitiva para o lixo nuclear, contratar um monitoramento independente dos níveis da radiação, resolver o problema de saneamento em Angra dos Reis e na cidade vizinha Paraty e adotar o Parque Nacional da Serra da Boicana. Essas condições terão que ser cumpridas para que a empresa obtenha a Licença de Operação, segundo Minc.

De acordo com especialistas, apenas encontrar uma solução definitiva para o lixo nuclear já é algo difícil.

Angra 3 terá a mesma capacidade de Angra 2, ou 1,3 mil megawatts, e a previsão é de que comece a operar em 2013.

Apesar de o Ministro do Meio Ambiente ter anunciado que a licença prévia para a usina de Angra 3 exigirá, entre outras coisas, a solução definitiva para a destinação do lixo nuclear, o ministro Edison Lobão (Minas e Energia) disse que tal solução ainda não foi encontrada no mundo inteiro. Ele informou que, a exemplo de Angra 1 e 2, o lixo nuclear de Angra 3 será armazenado até que os cientistas encontrem uma solução para os resíduos.

Lobão afirmou que isso é suficiente, pois o meio ambiente não pode pedir uma solução que não existe ainda. Afirmou aind
a, que uma solução definitiva é não jogar o lixo no meio do rio e sim guardá-lo adequadamente, que é o que se está fazendo com Angra 1 e Angra 2 e o Brasil não está fazendo nada inferior ou superior ao que se faz com as 440 usinas nucleares espalhadas pelo mundo.

Ainda segundo Lobão, a França está desenvol
vendo uma tecnologia que possibilitará a reutilização do lixo nuclear, o que poderá ser seguido pelo resto do mundo. Todos os países que têm usinas nucleares guardam o lixo provisoriamente na expectativa de amanhã vir a utilizar esse lixo. O ministro disse ainda que o governador da Bahia, Jaques Wagner, pediu que uma ou duas usinas nucleares sejam construídas em seu Estado, pedido que será levado em boa conta pelo governo, cujo plano é construir outras quatro térmicas nucleares e, em seguida, uma térmica a cada ano até um total de 60 mil MW em 50 anos.

Já não bastasse o pesadelo das usinas de Angra, imagina o que vem pela frente com esse pessoal planejando a matriz energética do país. Mais bomba! E quem diria, heim? Aquele deputado que era terminantemente contra qualquer ampliação de termonucleares, que mobilizava a população para interditar a Rio Santos em Angra dos Reis com faixas, cartazes e megafones, agora, se dizendo “terminantemente contra”, emite a licença para o desenvolvimento do projeto! Pelo que vemos não vale nada a opinião do ministro, a decisão muito menos, caso decidisse alguma coisa. Ainda vem com essa de “exigências brutais”! Estão querendo enganar quem com esse discurso? Quando essas “exigências brutais” nos livrarão da possibilidade de catástrofes atômicas em nosso país? Que conversa é essa?