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segunda-feira, 20 de abril de 2009

Social - Favelas do Rio se unem contra “muro do preconceito”


Lideranças de 100 comunidades do Rio de Janeiro se reuniram em assembleia para tomar medidas contra a polêmica construção de muros no entorno de 11 favelas do Rio de Janeiro. Será criada uma comissão de negociação com o Estado para propor um anel viário na Rocinha como alternativa. O movimento promoverá um ato público e já conta com o apoio de um defensor público do Estado.

Os representantes das comunidades foram unânimes em condenar a construção dos muros em torno das favelas. Para eles, o muro não vai trazer benefício nenhum para as comunidades e o estado tem que entrar com uma ação social, com emprego, com educação, garantindo os direitos dos cidadãos.

A Defensoria Pública do estado acompanhou o encontro e informou que pode tomar medidas jurídicas contra a instalação das barreiras de concreto. Segundo o Defensor Público Alexandre Mendes, o objetivo seria declarar o muro ilegal, impedindo sua construção.

O governo já fez a licitação para construir seis quilômetros de muros ao redor dos morros da Rocinha e da Chácara do Céu, na Zona Sul, e Pedra Branca, na Zona Oeste. No Morro Dona Marta, em Botafogo, a obra já começou. Está prevista a construção de uma barreira de 600 m separando a favela da mata.


Para o presidente da Emop-RJ, Ícaro Moreno, o muro é para, de um lado, proteger a comunidade, em termos do crescimento horizontal, e, por outro lado, proteger o bioma da Mata Atlântica, que está sendo destruído. Os representantes das comunidades não querem o muro, mas são a favor de conter o crescimento ilegal das favelas. Por isso, na reunião, também discutiram propostas alternativas ao projeto do governo do estado.

A substituição do muro por um anel viário é uma das idéias defendidas que as comunidades querem levar ao governador.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Política - Pedro Porfírio falou

Brizola como biombo para o nosso muro da vergonha

Essa punição aos favelados acontece de forma tão requintada que conta com o amém dos herdeiros necessários e legatários do brizolismo, bem como das marcas de passado esquerdista, como PT, PC do B e PSB.

"No jogo sujo das mesquinhas disputas pelos podres poderes nada é o que parece. A divulgação de uma notícia requentada, independente do pretexto, visa outros alvos, quase sempre camuflados.

Inserida com a sutileza própria das técnicas mais sofisticadas da ciência da hipocrisia, essa informação plantada não encontra óbices para corporificar-se, espargir-se e contaminar o inconsciente coletivo. Isto por conta do enraizado predomínio da mediocridade, lençol da caudal de corrupção, roubalheiras e desvios de conduta determinantes do comportamento de uma sociedade entre confusa e degenerada.

Se é verdade que todo o agrupamento humano patina num pântano pré-falimentar, é mais certo que aqui neste país de falsos mocinhos o desenlace já acomete o organismo social atacado por uma incurável septicemia moral.

O vale tudo se faz norma pétrea e embasa as obscenas gangues de emergentes deslumbrados. A crônica dos nossos dias é a da extinção do escrúpulo e da decência. De tal insuficiência moral é o som ambiente que a própria exceção tem vergonha de mostrar-se.

A última safra do espírito público evaporou-se antes de florir. Não há mais referência respeitável. Com o mínimo de sem cerimônia, qualquer um empalma o poder e, a partir dele, sem qualquer mérito ou talento, assume a batuta, manipula as sensibilidades e produz a cortina de fumaça para encobrir o móvel dos seus crimes.

Os conflitos são eivados de baixeza pela absoluta predominância de ambições pessoais movidas a indignidades. Como o instinto crítico cedeu ao domínio midiático não é difícil mercadejarem gatos por lebres.

Ao disparo das aleivosias contra alguém, não faltará um canastrão empavonado para encenar um gesto de suposta contestação dentro script preparado para o consumo dos desavisados. O falso espadachim pode ser um herdeiro, um descendente, um legatário: pode ser e geralmente é.

É provável que sua réplica ganhe o relevo de verossimilhança e convença meia dúzia de abestados. Estabelece-se então a farsa bufa com os ingredientes da mentira e do cinismo. Ao suposto oponente interessa essa pose, com a qual sacia iludidos e bajuladores.

Enquanto os brincalhões exploram os conflitos cosméticos de superfície, cingindo-se às aparências salientes, o autor da pantomima comemora e faz a festa.

Como na terra de cego quem tem um olho é rei e como, em meio ao entorpecimento em escala, os mais rápidos no gatilho perderam todo recato, para vale o escrito para todos os efeitos.

O silêncio das prebendas

Faço todo esse preâmbulo fatigante para acentuar o amálgama que liga as matérias requentadas e repisadas pelo jornal O GLOBO expondo o governo de Leonel Brizola à decisão da dupla Cabral/Eduardo Paes de levantar muralhas para ce rcar favelas da Zona Sul do Rio de Janeiro, sob pretextos preservativos, que oferecem a uma população amedrontada a falsa idéia de que algo estão fazendo para garantir-lhe a sensação de segurança e autoridade.


E se o submeti a tal prefácio tão presunçoso é porque me vejo no limiar da síncope intelectual. A farsa me parece tão visível e palpável que já não sei de que valem minhas palavras. A sensação é de um grande espetáculo em que as arquibancadas urram numa torcida sem causa e sem bandeira, indiferente à possibilidade do circo pegar fogo.

É mais patética ainda: até os bons, os de boa fé, enveredam pelos descaminhos da falsa controvérsia. E caem inocentes na mesma armadilha do conflito engendrado de escopo diversionista.

No caso das reportagens do GLOBO, reveladoras do arbitrário patrulhamento que os bolsões recalcitrantes da ditadura exerciam sobre um governador eleito, minha primeira leitura foi totalmente diferente. Elas reproduzem apócrifos papeluchos oriundos daqueles supostos pós-idos, mostrando que os fanáticos da intolerância jamais engoliram Brizola, preocupação que não está documentada em relação ao metalúrgico que hoje cumpre com festejado desempenho o papel de O CARA do sistema, como a emenda que saiu melhor do que o soneto.

É isso que os herdeiros necessários e os bastardos não admitem comentar, porque a esta altura dos acontecimentos estão todos comprometidos até a medula com a farsa, interessados tão somente na meia dúzia de sinecuras e nas carteirinhas que lhes garantem algumas raspas na farta e continuada pilhagem do erário.

Na engenharia social do governador, dado a viagens e alucinações de toda espécie, primeiro caíram os muros da decência e da dignidade. Todos os próceres desta província, ínfimas exceções à parte, curvaram-se à impostura que faz o velho caudilho remover-se a sete palmos.

Uma penca de prebendas imobilizou os sucedâneos dos sonhadores e fez deles sicários despudorados de uma legenda inconformista. Atingido pela deserção fisiológica, o velho idealista que se expôs na busca da justiça e da soberania nacional tornou-se jurássico. Hoje, está claro: mesmo os de sua cepa abominam tudo o que não ofereça vantagem à primeira vista, numa acintosa agressão ao finado.

Só para humilhar

Daí os empolados deste novo século não estão nem aí para o exercício das antigas lições. Sérgio Cabral vive nas nuvens, não vai ao trabalho, não governa, mas reina. Sob seu império, a contravenção e o suborno praticado por concessionários, de que acusam Brizola, nunca foram tão ostensivos.

Mau das pernas pela concorrência lotérica e recorrendo a derivativos da pesada, os bicheiros estão aí, à luz do dia, desmoralizando Deus e o mundo, sem serem incomodados pela mesma redação que viu conivência criminosa no tempo de Brizola.

Provavelmente a contravenção de hoje aumentou seu gibi, garantindo a omissão de todas autoridades pagas para reprimir a ilegalidade. Não há moral mínima em acusar governos pretéritos pelo que hoje se faz sem constrangimento de espécie alguma.

E mais: todo mundo sabe das propinas locais, distribuídas mensalmente em todos os poderes, mas ninguém dá um pio. Ou por medo, ou por falta de provas, ou por secretos desejos, ou por já estarem na partilha ou por acharem ser da natureza dos ofícios preferem o silêncio obsequioso.

Essas muralhas de alvenaria construídas em onze comunidades da Zona Sul são dinheiro jogado fora, a menos que haja rubrica no orçamento para a humilhação dos pobres. Pois é de todo sabido que atravessá-las por uma fenda é questão de algumas marretadas e alguns minutos.

O amém das esquerdas

Pegaram R$ 40 milhões para inibir expansões populacionais insignificantes, nos morros litorâneos, mais visíveis aos olhos da elite, e esqueceram a expansão real, comandada por milícias que desfrutam do estatuto da intocabilidade pelas públicas alianças que municiaram votos para os mocinhos do chamado choque da ordem.

Os números falam mais alto. A julgar pelo informe do Instituto Pereira Passos, órgão oficial da Prefeitura, os 11 mil metros de muralhas terão o condão de chover no molhado. Nas favelas criminalizadas, se há, a expansão é vertical. Já na Zona Oeste das milícias o avanço de 11,5% ao ano terá o beneplácito da vista grossa.


São muros erguidos para a platéia, a que saciam com a entronização da doutrina dos guetos murados como política de governo, com a chancela de um deputado petista na Secretaria de Habitação.

Vai daí que as reportagens que responsabilizam Brizola pelo crescimento das favelas no Rio e, por indução, no resto do país, servem para reforçar os desejos de uma classe dominante insone pelo sentimento de culpa. Essa punição aos favelados acontece de forma tão requintada que conta com o amém dos herdeiros necessários e legatários do brizolismo, bem como das marcas de passado esquerdista, como PT, PC do B e PSB.

De onde alvejam também outro coelho: os brizolistas e os esquerdistas que foram seduzidos pelas sinecuras dos podres poderes locais estão sendo pegos com as calças na mão pelo lastro que oferecem aos que hoje se dedicam à peremptória criminalização da ralé majoritária.

Talvez pela associação tão insustentável e inconveniente, vão acabar prestando serviço à história. Como sempre digo, um dia a casa cai. E todos os farsantes poderão ter o castigo da mesma vala, tenham sobrenome ou sejam apenas insolentes espertos de olhos maiores do que a barriga.

Pedro Porfírio.

domingo, 29 de março de 2009

Urbanismo – Onze mil metros de muro para conter favelas no Rio


O Morro Dona Marta, em Botafogo, é o primeiro a receber um muro para conter a expansão da favela rumo à mata. O governo estadual contratou uma empresa para o serviço que já levantou 55 dos 634 m previstos para a primeira fase do projeto.

O próximo passo será a licitação pela Empresa de Obras Públicas (EMOP) do projeto que prevê a construção de um paredão de 2.800 m de extensão que irá contornar a Rocinha. As obras para outras nove comunidades, todas na Zona Sul, serão licitadas até maio. No total, serão mais de 11 mil metros de murada em concreto para conter o surgimento de novas construções nas favelas cariocas.

O muro erguido nas comunidades terá um mesmo padrão, feito de concreto, com base em vergalhões de ferro e três metros de altura. A opção de um paredão vazado foi descartada porque o estado tinha o receio de que ele pudesse ser mais facilmente destruído. A expectativa é que, até o fim deste ano, as obras já estejam concluídas em todas as favelas contempladas.

Também está prevista a derrubada de cerca de 550 casas durante os trabalhos, cujos moradores serão indenizados ou realocados.

A expansão das favelas no Rio de Janeiro tem abocanhado pedaços cada vez maiores das áreas verdes, e os parques, que serviriam naturalmente como barreiras para impedir que duas favelas próximas se tornem um complexo, não vêm sendo poupados pelas ocupações irregulares.

O Parque Dois Irmãos, no Leblon, e o Parque da Cidade, na Gávea, são duas das áreas verdes que têm sido consumidas pelo crescimento acelerado do número de casas das favelas vizinhas. O Dois Irmãos, pela Chácara do Céu e o Parque da Cidade, pela Rocinha. Servem como exemplo da relação entre o crescimento desordenado e o abandono das áreas verdes. Moradores dessas comunidades estacionam carros nas áreas de preservação, bandidos armados circulam sem se importar com os visitantes, dentre outros problemas. O Parque da Cidade, por exemplo, está abandonado. O Parque Dois Irmãos, no Leblon, criado em 1998, não fica fora desse quadro. Na época a unidade foi entregue com um novo acesso à favela, com a justificativa que antes esse acesso era muito difícil. Aos poucos foram construindo casas para alugar e de três anos para cá a situação ficou descontrolada de vez.

Ambientalistas sugerem a junção das unidades de conservação em algumas localidades da cidade onde ainda isso seria possível, juntamente com a criação de batalhões florestais para vigiá-los, como um recurso para barrar a formação de um complexo de favelas na Zona Sul, além de proteger as poucas áreas verdes de invasões e o crescimento da favelização. Mas a situação é drástica. A maioria desses parques se encontram sem comitê gestor, comando e/ou delimitação clara de seus limites. Segundo eles, uma opção para viabilizar tal proposta é a utilização de recursos do Fecam (Fundo Estadual de Conservação Ambiental e Desenvolvimento Urbano).

Além da Rocinha e do Dona Marta, serão contornadas pelos muros do governo estadual as comunidades Benjamin Constant (Urca), Parque da Cidade (Gávea), Morro dos Cabritos e Ladeira dos Tabajaras (Copacabana), Morro da Babilônia e Chapéu Mangueira (Leme), Cantagalo (Ipanema), Pavão-Pavãozinho (Ipanema) e Vidigal (Leblon).

Quarenta por cento das favelas do Rio estão em regiões protegidas por leis ambientais por isso, um maior rigor na vigilância poderia ser usado como mecanismo de contenção dessa expansão. Se nada for feito, os grandes complexos desordenados continuarão a ser formados e a Chácara do Céu vai se juntar à Rocinha como tantas outras favelas da cidade. Uma trilha ligando uma favela à outra já existe. Será que um muro vai conseguir deter essa expansão?

Não sei se é muita “ingenuidade” do governo estadual achar que um muro de concreto não será destruído! Se não houver fiscalização do Poder Público (como nunca existiu, daí a situação catastrófica atual), tudo continuará sendo destruído, de concreto ou de qualquer outra coisa. Não só a questão da fiscalização ambiental e aparelhamento das unidades de conservação devem ser levadas a sério, mas também a de segurança pública. Sabe-se que é de grande interesse da criminalidade que essas comunidades se juntem, formando complexos cada vez maiores e mais difíceis de ser acessados ou patrulhados. Para os marginais, quanto mais complicado ficar para dar segurança nesses locais, melhor. Com isso, esses grupos armados continuariam a subjugar os moradores, agindo cada vez mais livremente.