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terça-feira, 7 de abril de 2009

Reflorestamento - Projeto pretende restaurar 15 milhões de hectares da Mata Atlântica até 2050


Organizações ambientalistas lançaram nesta terça-feira um projeto que pretende restaurar 15 milhões de hectares da Mata Atlântica até 2050, equivalentes a cerca de 10% da floresta original e ao dobro da área atualmente conservada. Chamado de Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, tem o objetivo de integrar iniciativas já existentes e ampliar o alcance de projetos para reverter o processo de degradação e começar um amplo programa de recuperação da floresta.

Estima-se que apenas 7,26% da área original da Mata Atlântica (de 1,36 milhão Km2) ainda estejam conservados. Outros 13%, segundo os idealizadores do pacto, são fragmentos em diferentes estágios de conservação, que necessitam de ações de proteção. Com os 15 milhões de hectares que o projeto pretende restaurar (área equivalente a três vezes o território do Estado do Rio de Janeiro), o objetivo é chegar à meta de 30% do bioma da Mata Atlântica recuperados. Um mapeamento realizado desde 2007 identificou 17,45 milhões de hectares com potencial para restauração.

O plano já conta com a adesão de 53 organizações ambientalistas, empresas, governos e instituições de pesquisa. A coordenação do projeto espera novas adesões, inclusive de organizações de indígenas, quilombolas e assentados da reforma agrária. Um dos objetivos é aliar a conservação da biodiversidade à geração de trabalho e renda na cadeia produtiva da restauração. Também está prevista a disseminação de informações técnicas, além do monitoramento das ações.

Proprietários rurais, por exemplo, poderiam se beneficiar com a adequação legal de suas terras e eventuais ganhos financeiros por sequestro de carbono e outros serviços ambientais. Áreas de pastagens com baixa produtividade poderiam ser transformadas em florestas manejadas com alto rendimento econômico.

Segundo o coordenador geral do projeto, Miguel Calmon, que também é diretor do programa de conservação para a Mata Atlântica da The Nature Conservancy, o valor médio para recuperar um hectare da Mata Atlântica é de US$ 1 mil, o que levaria a um cálculo de aproximadamente US$ 15 bilhões para recuperar 15 milhões de hectares.

sábado, 23 de agosto de 2008

Crime ambiental – As consequências de um cinismo escancarado


Estava demorando, mas as porteiras começaram a se abrir para mais crimes ambientais no país. Segundo o jornal O Globo, por decreto do presidente Lula, o governo vai liberar o plantio de cana-de-açúcar e a instalação de usinas de álcool em áreas do Pantanal. A proibição do avanço da cana na região foi uma das principais bandeiras da ex-ministra Marina Silva. Com sua saída, os ministros Carlos Minc (Meio Ambiente) e Reinhold Stephanes (Agricultura) fecharam um acordo duramente criticado por ambientalistas.

A notícia da liberação irritou dirigentes de ONGs ambientalistas, que elevaram o tom das críticas a Minc e chegaram a pedir sua saída do governo. O ministro rebateu os ataques e classificou os protestos de "gritaria, infantilismo e ecodemagogia".

Na última quarta-feira, numa cena incomum, Minc foi aplaudido por parlamentares da bancada ruralista ao encerrar sua participação numa audiência pública da Comissão de Agricultura da Câmara. Minutos antes, ele havia anunciado a decisão de rever o decreto presidencial que havia endurecido, há um mês, as penas por crimes ambientais.

No dia anterior, Minc já havia provocado polêmica ao fechar acordo com o ministro da agricultura, para permitir que os produtores que desmataram além da reserva legal compensem o dano fora dos limites de sua propriedade, contanto que a área escolhida fique no mesmo bioma.

Mais uma demonstração das intenções vergonhosas desse governo para com o meio ambiente. Num país com tanta terra para se plantar, promover o desenvolvimento da monocultura da cana-de-açúcar na região do Pantanal, um dos ecossistemas mais sensíveis e mais ameaçados
do planeta, é simplesmente um ato criminoso. Gritaria, infantilismo e ecodemagogia é o que o atual ministro está acostumado a fazer aqui no Rio de Janeiro, quando consegue meia dúzia de gatos pingados para acompanhá-lo em patéticas e cômicas manifestações públicas em “prol do meio ambiente”. Nesse tipo de experiência ele é craque. Agora está tendo que mostrar nacionalmente que também é capaz de se sujeitar às pressões dos poderosos em prol do “desenvolvimento”. Substituiu uma ministra, que através da inércia (em especial na liberação de licencenças ambientais), pelo menos criava dificuldades para que criminosos não terminassem de vez com os principais ecossistemas brasileiros apoiados na legalidade. Na sua época (não mudou muita coisa de lá para cá), as maiores agressões ocorriam de forma ilegal com a facilitação da inerte fiscalização oficial. Agora, sobre o pretexto da ação e do "desenvolvimento sustentável", o ministro e seus companheiros de governo começam descarada e cínicamente escancarar as porteiras da devastação sob os aplausos dos grandes destruidores e exploradores do povo e da nação. É por essas e outras que divulgo no meu humilde espaço o slogan abaixo.