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sexta-feira, 26 de junho de 2009

Trabalho escravo - 6ª Mentira: O trabalho escravo urbano é do mesmo tamanho que o rural


Verdade: O trabalho escravo urbano é menor se comparado ao do meio rural. A Polícia Federal, as Delegacias Regionais do Trabalho, o Ministério Público do Trabalho e o Ministério Público Federal já agem sobre o problema. Vale lembrar que a escravidão urbana é de outra natureza, com características próprias. Portanto, pede instrumentos específicos para combatê-la – e não adaptações do que está sendo proposto para a zona rural. O principal caso de escravidão urbana no Brasil é a dos imigrantes ilegais latino-americanos - com maior incidência para os bolivianos - nas oficinas de costura da região metropolitana de São Paulo (foto - jovens bolivianos observam mural de anúncios de emprego na Pç. Kantuta, em São Paulo). A solução passa pela regularização da situação desses imigrantes e a descriminalização de seu trabalho no Brasil.

"Na sala de um apartamento residencial na região central de São Paulo, Ramón empurra sua caixa de brinquedos por entre máquinas industriais, bancadas, ferramentas e montes de roupas que esperam para ser costuradas. Outras 12 pessoas ocupam o espaço. Com a fiação elétrica exposta, o risco de incêndio é permanente. As janelas estão lacradas. O barulho das máquinas pode denunciar a oficina clandestina e trazer a polícia. Faz um calor infernal, o ar está pesado no ambiente sem ventilação.

Sentada há mais de 16 horas diante da máquina de costura, a mãe de Ramón tem pressa. Maria Diaz costura uma peça de roupa atrás da outra, intensamente. Ela tem uma agenda para cumprir. Só pára quando precisa comer ou ir ao banheiro. A mãe do pequeno Ramón é uma mulher exausta.


Desde que chegou ao Brasil, em 2003, trabalha do amanhecer até tarde da noite. Não tem carteira assinada, equipamento de proteção, assistência médica. Ela não existe nos registros de imigração. Oficialmente, o governo brasileiro não sabe de sua presença. Tampouco sua saída da Bolívia, em 2003, foi registrada pelo governo daquele país. Maria foi trazida para São Paulo por intermediários conhecidos como "coiotes", que ganham dinheiro contrabandeando gente de um país para outro. Em São Paulo, pelo menos 100 mil bolivianos estão nessa situação.

Maria Diaz faz parte de um grupo de dezenas de milhares de imigrantes que vivem em São Paulo anonimamente, sob o risco da extradição, vítimas do preconceito e sem nenhum tipo de garantia social ou trabalhista. Ela não pode se dar ao luxo de expor sua imagem.

Os imigrantes são explorados por uma indústria bilionária e transnacional. Na ponta dessa cadeia produtiva clandestina e precária está uma das mais tradicionais e conhecidas redes de lojas do mundo: o grupo C&A. As lojas C&A vendem roupas costuradas por pessoas forçadas a atuar à margem da lei, gente que não tem respeitados sequer os direitos fundamentais da pessoa humana.


A C&A sabe do problema há pelo menos um ano. Mesmo assim, continua se beneficiando, por intermédio de dezenas de malharias, de uma mão-de-obra extremamente precarizada. O importante é que as roupas cheguem ao consumidor de forma rápida e barata. Os imigrantes? Nem existem oficialmente. Não podem sequer reclamar, pois do contrário serão presos e podem até ser deportados." (Fonte: Em Revista - Veja a reportagem na íntegra)

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Social – Não temos muito o que comemorar


Em 13 de maio de 1888, a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea, abolindo a escravidão no Brasil. Mas, infelizmente hoje, 13 de maio de 2009, não temos muito o que comemorar. A escravidão, apesar dos esforços do governo nos últimos anos (não sei se tímidos ou covardes), ainda é uma realidade. A exploração da mão-de-obra por parte daqueles que ainda insistem em conservar os costumes mais imorais dos primórdios da “civilização” e desse país, e a escravidão certamente é o mais vergonhoso que a humanidade pode presenciar, faz parte do nosso dia-a-dia. Parece que é um vírus ou um gene que eles trazem no sangue e insistem em perpetuar. O pior de tudo é que essa classe, esse cancro que insiste em molestar o país, tem inúmeros representantes nas câmaras e governos municipais, estaduais e federal e na iniciativa privada. A maior parte dela é responsável pelos maiores escândalos financeiros e políticos dos últimos tempos. Continuam a todo custo tentando manter o poder para esconder suas ações nefastas atrás de cargos, aparências e benesses. Representam o que é de mais pernicioso na sociedade brasileira. O cancro, essa minoria nociva, se espalhou por todo canto do país, procurando garantir o domínio sobre as classes menos favorecidas. Como a escravidão, eles ainda existem e conseguem ser mantidos pela maioria da população, que por incrível que pareça, se encontra cada vez mais pacífica. A história é sempre a mesma: os miseráveis alimentando o império.


Mascarada ou escancarada, a escravidão está presente desde as áreas mais desenvolvidas do país às áreas mais remotas e carentes de fiscalização do trabalho. Diariamente vemos casos nos meios de comunicação sobre trabalho forçado, privação da liberdade, maus tratos, exploração e abuso do poder político e econômico cometidos por esses herdeiros do poder feudal. É a escravidão nua e crua a desmoralizar a Nação.

Não bastasse isso, ela continua a agir sobre os descendentes negros, visto que estes representam o maior contingente da população que sofre com a miséria, a carência de recursos financeiros e de infraestrutura. Até os dias de hoje, os negros e seus descendentes, continuam sendo sacrificados, tendo que morar em favelas, subempregados, sem transporte digno, se sujeitando aos serviços de saúde e educação públicos da pior qualidade, sofrendo do preconceito racial, dentre outras mazelas. A escravidão está nas nossas barbas.

E, para esse dia que seria extremamente importante estarmos comemorando a extinção desse mal, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) anuncia um novo estudo sobre os padrões do trabalho forçado em todo o mundo, o qual destaca que “o custo de oportunidade” derivado da coerção aos trabalhadores afetados pela escravidão contemporânea supera 20 bilhões de dólares por ano, o que representa um poderoso argumento econômico, bem como um imperativo moral, para que os governos confiram maior prioridade ao tema.

O relatório, intitulado “O Custo da Coerção”, também detalha o número crescente de práticas antiéticas, fraudulentas e criminosas que podem levar as pessoas a situações de trabalho forçado e faz um apelo em busca de um maior esforço para erradicar estas práticas. Acrescenta ainda que, na conjuntura atual, os que mais sofrem são os mais vulneráveis (o que não é novidade para ninguém). Nesses tempos, é ainda mais necessário evitar que os ajustes não ameacem as salvaguardas conquistadas a duras penas para impedir que os trabalhadores, ao longo das cadeias produtivas, sejam submetidos ao trabalho forçado ou ao abuso representado pelo tráfico de pessoas.

A maior parte do trabalho forçado ainda é encontrada nos países em desenvolvimento, frequentemente na economia informal e em regiões isoladas, com pouca infraestrutura, sem fiscalização do trabalho e aplicação da lei. O relatório anterior da OIT sobre trabalho forçado, publicado em 2005, mostrou que cerca de 12,3 milhões de pessoas no mundo inteiro foram de alguma forma vítimas de trabalho forçado ou servidão. Destes, 9,8 milhões são explorados por agentes privados, incluindo mais de 2,4 milhões em trabalho forçado como resultado do tráfico de seres humanos.

Não dá para comemorar.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Trabalho escravo - 5ª Mentira: "A culpa não é do fazendeiro e sim de gatos, gerentes e prepostos.

O empresário não sabe dos fatos que ocorrem dentro de sua fazenda e por isso não pode ser responsabilizado."

Verdade: O empresário é o responsável legal por todas as relações trabalhistas de seu negócio. A Constituição Federal de 1988 condiciona a posse da propriedade rural ao cumprimento de sua função social, sendo de obrigação de seu proprietário tudo o que ocorrer nos domínios da fazenda.

Por isso, o fazendeiro tem o dever de acompanhar com freqüência a ação dos funcionários que administram sua fazenda para verificar se eles estão descumprindo alguma norma da legislação trabalhista, além de orientá-los no sentido de contratar trabalhadores de acordo com as normas estabelecidas pela CLT.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Trabalho escravo – 4ª Mentira: “A lei não explica detalhadamente o que é trabalho escravo. Com isso, o empresário não sabe o que é proibido fazer”


Verdade: O artigo 149 do Código Penal (que trata do crime do trabalho escravo) existe desde o início do século passado. A legislação trabalhista aplicada no meio rural é da década de 70 (Lei n.º 5.889). Portanto, tanto a existência do crime como a obrigação de garantir os direitos trabalhistas não são coisas novas. Os proprietários rurais que costumeiramente exploram o trabalho escravo, na maioria das vezes, são pessoas instruídas que vivem nos grandes centros urbanos do país, possuindo excelente assessoria contábil e jurídica para suas fazendas e empresas.

Além disso, uma série de acordos e convenções internacionais tratam da escravidão contemporânea. Por exemplo, as convenções internacionais de 1926 e a de 1956, que proíbem a servidão por dívida, entraram em vigor no Brasil em 1966. Essas convenções estão incorporadas à legislação nacional.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) trata do tema nas convenções número 29, de 1930, e 105, de 1957. Há também a declaração de Princípios e Direitos Fundamentais do Trabalho e seu Seguimento, de 1998.

De acordo com o Relatório Global da OIT de 2001, as diversas modalidades de trabalho forçado no mundo têm sempre em comum duas características: o uso da coação e a negação da liberdade. No Brasil, o trabalho escravo resulta da soma do trabalho degradante com a privação de liberdade. O trabalhador fica preso a uma dívida, tem seus documentos retidos, é levado a um local isolado geograficamente que impede o seu retorno para casa ou não pode sair de lá, impedido por seguranças armados. A Organização utiliza, no Brasil, o termo “trabalho escravo” em seus documentos.

Como se vê, o conceito de trabalho escravo é universal e o conceito legal é mais do que claro. Todo mundo sabe o que é escravidão.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Desmatamento - Ibama fecha 13 madeireiras no Pará e apreende madeira ilegal que daria para encher 400 caminhões


Nesta quarta-feira, a operação Caapora do Ibama fechou 13 serrarias ilegais, apreendeu um volume equivalente a 400 caminhões de madeira, além de destruir 200 fornos para a produção de carvão em Nova Esperança do Piriá, no leste do Pará, a 190 Km de Belém. Nenhuma das serrarias possuía plano de manejo, pré-requisito para o licenciamento ambiental. Os madeireiros exploravam madeira nobre na reserva indígena Alto Rio Guamá, a 40 Km da cidade onde operavam as madeireiras. Falta investigar se os índios vendiam a madeira para os madeireiros ou se o produto era extraído sem o consentimento deles. Segundo o superintendente do Ibama no Pará, Aníbal Picanço, cerca de 30% da reserva, de 257 mil hectares, estão desmatados.

Nova Esperança do Piriá vive do crime ambiental, tendo o comércio ilegal de madeira como sua principal atividade. A cidade está crescendo bastante em torno da atividade. Em 2004 havia 8 mil habitantes, hoje são 32 mil. Nenhum município que não tenha ouro multiplica sua população por quatro em cinco anos. A prefeitura estima que, com o fechamento das serrarias ilegais, 1.700 trabalhadores irão ficar sem empregos.

Além dos agentes ambientais do Ibama, a operação Caapora contou com o apoio da Força Nacional, Polícia Rodoviária Federal (PRF), Polícia Militar Ambiental e Fundação Nacional do Índio (Funai), totalizando 140 homens e 30 viaturas, que apreenderam 2.238 m3 de madeira avaliada em R$ 6 milhões, oito máquinas, cinco motosserras, três espingardas, uma pistola e munição. Ninguém foi preso. Tanto os proprietários quanto os funcionários das serrarias fugiram, mas os computadores e vários documentos com anotações foram apreendidos. Pelo menos 10 pessoas poderão ser indiciadas e, de acordo com a análise do material apreendido, muitos poderão responder por receptação de madeira ilegal. Dezenas de moradores, muitos dos quais trabalhadores das madeireiras, observaram a destruição das construções pelos tratores. As equipes do Ibama constataram que além de comprometerem cerca de 30% da reserva indígena, as 13 serrarias instaladas na região aterraram um rio e mantiveram trabalhadores em situação semelhante ao trabalho escravo, sem registro profissional, além de pagamentos por diária abaixo do valor de mercado.


Numa tentativa de evitar tumultos em Nova Esperança, onde a maioria dos 32 mil habitantes depende da indústria da madeira, o governo prometeu medidas de assistência social e atividades econômicas alternativas. As medidas incluem auxílio aos desempregados, cestas de alimentos e terrenos para os mais pobres.
Uma parte da madeira apreendida, entre as quais espécies nobres como a maçaranduba, vai ser leiloada e a outra será doada ao município para ser usada na construção de casas populares. Segundo o Ministério do Meio Ambiente (MMA), o dinheiro arrecadado com o leilão da madeira apreendida, será aplicado em projetos de preservação ambiental do próprio estado do Pará e do Governo Federal, além de projetos de infraestrutura local, onde os funcionários das madeireiras agora desempregados serão contratados.


O Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse que tem reclamado com a governadora Ana Júlia Carepa (PT) sobre a liderança do Pará no desmatamento da Amazônia. O estado desmata anualmente cerca de 5 mil Km2, e ocupa, desde 2006, o primeiro lugar em desmatamento entre os estados da Amazônia Legal, levando a crer que a devastação ambiental no Pará está fora de controle. A cada ano que passa, madeireiros, pecuaristas e agricultores cortam enormes porções da floresta em busca de terra barata.

Há 10 meses, o MMA cortou o crédito a pecuaristas e fazendeiros atuando na ilegalidade, apreendeu carne e produtos da soja provenientes de áreas desmatadas, fechou acordos com atacadistas de madeira e da soja, e com bancos para o boicote de produtos de origem ilegal. Por outro lado, os críticos afirmam que o governo do presidente Lula permanece profundamente dividido a respeito da conservação ambiental. Os ambientalistas temem que a construção de uma série de rodovias e usinas hidrelétricas aumente o desmatamento. O forte lobby ruralista do país também tem resistido às medidas dispendiosas para melhorar a produtividade e recuperar a terra depauperada no lugar de cortar e queimar a floresta.

O Governo Federal, em parceria com o Municipal e o Estadual, avalia que precisará de 30 dias para concluir a operação. Minc solicitou à governadora do Estado do Pará (que responde por 45% do Amazônia), Ana Júlia Carepa, a instalação de postos avançados da Secretaria Estadual de Meio Ambiente em Marabá e Itaituba, áreas identificadas como alvo preferencial dos desmatadores.

Nova Esperança será incluída agora na Operação Arco Verde, que prevê assistência técnica e financeira aos municípios campeões de desmatamento que se comprometam a recuperar áreas degradadas.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Trabalho escravo - Manifestação fecha rodovia em Alagoas


Mais uma de trabalho escravo! Os usineiros continuam aprontando.

Trabalhadores de uma usina de cana-de-açúcar bloquearam um trecho da BR-101, na cidade de Messias (AL), na manhã desta terça-feira, para reclamar das condições de trabalho escravo. Eles interromperam a circulação de veículos nos dois sentidos da pista e queimaram pneus. Apenas ambulâncias estavam liberadas para passar.

Cortadores de cana, motoristas e fiscais da usina alegam que estão com o salários atrasados, estão passando fome e que não podem arrumar outros trabalhos porque as carteiras profissionais estão retidas pela empresa.

Equipes da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Militar foram ao local, mas os manifestantes só sairão do local depois de negociarem com representantes do Ministério Público Estadual e da usina.

Trabalho escravo - Polícia liberta 70 pessoas em regime de escravidão no Maranhão


Após denúncias recebidas pelo Disque-Denúncia (3223-5800), o Núcleo de Operações Especiais da Polícia Rodoviária Federal e a Delegacia Regional do Trabalho realizaram operação conjunta e resgataram 70 pessoas em situação de trabalho escravo, no último sábado, em três fazendas entre os municípios de Codó e Bacabal, no Maranhão.

Na Fazenda Abelha, situada no km 478 da BR-316, em Codó, foram resgatados 35 trabalhadores, sendo 3 mulheres, que trabalhavam em regime de escravidão. Segundo informações, a Fazenda Abelha pertence ao grupo FC Oliveira, onde eram descumpridos os direitos básicos dos trabalhadores. Eles não tinham carteira assinada, não recebiam remuneração adequada e nem tinham benefícios. Na Fazenda Imperial, no mesmo município, 6 homens foram resgatados.

Em Bacabal, na Fazenda E.I.B, no km 385, da BR-316, em uma carvoaria, foram resgatados 29 homens que trabalhavam em condições precárias e sem registro na carteira de trabalho.

As ocorrências foram registradas e os trabalhadores foram encaminhados para a Delegacia Regional do trabalho de Codó.

Trabalho escravo – 3ª Mentira: “Se o problema existe, é pequeno. Além disso, apenas uma meia dúzia de fazendeiros utiliza trabalho escravo”


Verdade: Em 1995, o governo brasileiro, por intermédio de um pronunciamento do Presidente da República, assumiu a existência do trabalho escravo no Brasil. Já naquele ano foram criadas estruturas governamentais para o combate a esse crime, com destaque para o Grupo Executivo para o Combate ao Trabalho Escravo (Gertraf) e o Grupo Especial de Fiscalização Móvel. No ano passado, o atual Presidente da República lançou o Plano Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo e criou a Comissão Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae).

Em março de 2004, o Brasil reconheceu na Organização das Nações Unidas a existência de pelo menos 25 mil pessoas reduzidas à condição de escravos no país – e esse é um índice considerado otimista. Os números servem de alerta para o tamanho do problema. Porém, mesmo que houvesse um único caso de trabalhador reduzido à escravidão no Brasil, esse caso deveria ser combatido e eliminado.

De 1995 até 2005, cerca de 18 mil pessoas foram libertadas em ações dos grupos móveis de fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego. De 2006 a 2009, esse número foi de 14.605 pessoas.

As ações fiscais demonstram que quem escraviza no Brasil não são proprietários desinformados, escondidos em propriedades atrasadas e arcaicas. Pelo contrário, são grandes latifundiários, que produzem com alta tecnologia para o grande mercado consumidor interno ou para o mercado internacional. Não raro, nas fazendas são identificados campos de pouso de aviões dos fazendeiros. O gado recebe tratamento de primeira: rações balanceadas, vacinação com controle computadorizado, controle de natalidade com inseminação artificial, enquanto os trabalhadores vivem em piores condições do que as dos animais.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Trabalho escravo – 2ª mentira: “A escravidão foi extinta em 13 de maio de 1888”


Verdade: Infelizmente, não foi extinta e, atualmente, é tão ou mais desumana que a escravidão do Brasil imperial.

A escravidão contemporânea é diferente da antiga, mas rouba a dignidade do ser humano da mesma maneira. No sistema antigo, a propriedade legal era permitida. Hoje, não. Mas era muito mais caro comprar e manter um escravo do que hoje. O negro africano era um investimento dispendioso, a que poucas pessoas tinham acesso. Hoje, o custo é quase zero, paga-se apenas o transporte e, no máximo, a dívida que o sujeito tinha em algum comércio ou hotel. Se o trabalhador fica doente, ele é largado na estrada mais próxima e se alicia outra pessoa.


A soma da pobreza generalizada, proporcionando mão-de-obra farta, com a impunidade do crime, criam condições para que perdurem práticas de escravização, transformando o trabalhador em mero objeto descartável.

Na escravidão contemporânea, não faz diferença se a pessoa é negra, amarela ou branca. Os escravos são miseráveis, sem distinção de cor ou credo. Porém, tanto na escravidão imperial como na do Brasil de hoje, mantém-se a ordem por meio de ameaças, terror psicológico, coerção física, punições e assassinatos.

terça-feira, 24 de março de 2009

Trabalho escravo – 1ª mentira: “Não existe trabalho escravo no Brasil”


Verdade: Infelizmente, existe.

A assinatura da Lei Áurea, em 1888, representou o fim do direito de propriedade de uma pessoa sobre a outra, colocando fim à possibilidade de possuir legalmente um escravo. No entanto, persistem situações que mantêm o trabalhador sem possibilidade de se desligar de seus patrões.

Há fazendeiros que, para realizar derrubadas de matas nativas para formação de pastos, produzir carvão para a indústria siderúrgica, preparar o solo para pl
antio de sementes, entre outras atividades agropecuárias e extrativistas, contratam mão-de-obra utilizando os famigerados “gatos”. Eles aliciam os trabalhadores, servindo de fachada para que os fazendeiros não sejam responsabilizados pelo crime. Esses gatos recrutam trabalhadores em regiões distantes do local da prestação de serviços ou em pensões localizadas nas cidades próximas. Na primeira abordagem, eles se mostram pessoas extremamente agradáveis, portadores de excelentes oportunidades de trabalho. Oferecem serviço em fazendas, com salário alto e garantido, boas condições de alojamento e comida farta. Para seduzir o trabalhador, oferecem “adiantamentos” para a família e garantia de transporte gratuito até o local do trabalho.

O transporte é realizado por ônibus em péssimas condições de conservação ou por caminhões improvisados sem qualquer segurança. Ao chegarem ao local do trabalho, eles são surpreendidos com situações completamente diferente das prometidas. Para começar, o gato lhes informa que já estão devendo. O adiantamento, o transporte e as despesas com alimentação na viagem já foram anotados no caderno de dívida do trabalhador que ficará de posse do gato. Além disso, o trabalhador percebe que o custo de todos os instrumentos que precisar para o trabalho – foices, facões, motosserras, entre outros – também serão anotados no caderno de dívidas, bem como botas, luvas, chapéus e roupas. Finalmente, despesas com os emporcalhados e improvisados alojamentos e com a precária alimentação serão anotados, tudo a preço muito acima dos praticados no comércio.

Convém lembrar que as fazendas estão incrivelmente distantes dos locais de comércio mais próximos, sendo impossível ao trabalhador não se submeter totalmente a esse sistema de “barracão”, imposto pelo gato a mando do fazendeiro ou diretamente pelo fazendeiro.

Se o trabalhador pensar em ir embora, será impedido sob a alegação de que está endividado e de que não poderá sair enquanto não pagar o que deve. Muitas vezes, aqueles que reclamam das condições ou tentam fugir são vítimas de surras. No limite, podem perder a vida. Este é o escravo contemporâneo, vítima do crime previsto no artigo 149 do Código Penal, submetido a condições desumanas e subtraído de sua liberdade.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Crime – A escravidão contemporânea é vergonha para o país


Para os que acham que a escravidão acabou em 13 de maio de 1888, aí vão alguns dados atualizados do Ministério do Trabalho. O Grupo Móvel de Fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego resgatou, entre 1º de janeiro e 19 de fevereiro deste ano, 149 trabalhadores em 15 fazendas, trabalhando e vivendo em condições subumanas.

De acordo com a Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo (Detrae), nove operações foram realizadas. O Pará lidera novamente o ranking de trabalhadores resgatados: 71. Em 2008, o Estado chegou a registrar 811 resgates.
Em segundo lugar no levantamento de 2009 está Mato Grosso, com 33 trabalhadores resgatados, seguido por Santa Catarina, com 20, pelo Maranhão, com 13, e pelo Paraná, com 12.


O valor dos pagamentos, de acordo com o órgão, superou o montante de R$ 230 mil. A fiscalização lavrou ainda 218 autos de infração. Desse total, 80 no Pará, 49 no Mato Grosso e 38 em Santa Catarina.
Em 2008, um total de 5.016 trabalhadores foram resgatados em meio a 156 operações deflagradas em mais de 200 fazendas brasileiras. Nos últimos 15 anos, as indenizações ultrapassaram os R$ 47 milhões.

Semanalmente, iremos postar uma das 15 mentiras mais contadas por aqueles que não querem ver o problema do trabalho escravo resolvido, selecionadas pela ONG Repórter Brasil a pedido da Comissão Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo (CONATRAE), e contar
a verdade por trás delas. Fique por dentro.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Crime - Trabalho escravo em área da Petrobras


Auditores do Ministério do Trabalho e Policiais Federais encontraram 40 pessoas em condições de trabalho escravo em uma área que pertence à Petrobras, no interior do Paraná. Foi caracterizada situação de trabalho escravo pela condição degradante dos alojamentos, segundo os agentes. A empresa, que foi notificada, havia feito um acordo com antigos proprietários para que eles desmatassem o terreno de 44 hectares. A área será utilizada para exploração de xisto.

As pessoas contratadas para a empreitada estavam trabalhando em condições precárias: não usavam botas, luvas nem tinham carteira assinada. Entre os trabalhadores havia, inclusive, um jovem de 16 anos com as mãos calejadas. Depois da jornada, os funcionários eram alojados em barracos de lona, carroças e casebres abandonados. Uma mulher dividia com o marido o espaço em um antigo galinheiro.

Funcionários da Petrobras estiveram no local, mas não quiseram se pronunciar (nessas horas é normal silenciarem-se). A Petrobras informou em nota que repudia o trabalho escravo. A empresa diz que a aquisição dos terrenos onde vai ser implantada a mina de xisto teve início em 2003, mas a companhia só vai assumir a posse definitiva da área no ano que vem. A companhia afirma ainda que, embora não tenha responsabilidade sobre a condição dos trabalhadores, vai colaborar com as autoridades para combater a exploração da mão-de-obra.

O tempo é senhor do universo. O tempo faz as máscaras caírem e a realidade nua e crua, como o petróleo bruto que brota do chão, aparece desvendando o âmago do ser. O fato lembra aquela historinha fiada: fumei, mas não traguei. A Petrobras adquiriu a área, mas não tem responsabilidade pelo que ocorre em seus limites? Isso só demonstra que o petróleo não é nosso. O petróleo só serve para os diretores e funcionários da Petrobrás. Os terceirizados e o povo que se lixem. Como se a contratante não tivesse nenhuma responsabilidade por pessoal terceirizado, se acham no direito de contrariar a lei trabalhista na maior cara de pau.


O fato também ajuda a comprovar o processo de maquiagem ambiental e social que vem ocorrendo na maioria das empresas no país. Investem enormes somas
em propaganda de suas ações sócio-ambientais, ações essas que consomem um ínfimo percentual dos absurdos lucros semestrais anunciados desavergonhadamente na mídia. A Petrobras se gaba de ser a maior patrocinadora de projetos sociais, culturais e ecológicos, o que na realidade é muito fácil, pois os investimentos nesse tipo de ação por parte das outras empresas são irrisórios, bem menores dos que feitos pela Petrobras. A grande maioria costuma patrocinar meia dúzia de projetos, divulgando-os em suas campanhas institucionais como se fossem a coisa mais importante do universo. O marketing faz uma lebre virar um leão. E aí elas se tornam empresas ecológicas, socialmente responsáveis. Vejam os bancos por exemplo. Até pouco tempo atrás não davam ouvidos para meio ambiente. O negócio era ganhar dinheiro a qualquer custo. Agora, em curtíssimo prazo, são todos ecológicos e socialmente responsáveis. É impressionante a rapidez do processo de ecologização dessas instituições! É de se desconfiar em caso de propaganda enganosa, fato que deveria ser apurado minuciosamente pelo Ministério Público e órgãos de defesa do consumidor.

Voltando aos escravos da Petrobras, esses investimentos sócio-ambientais são irrisórios perto do risco que suas atividades representam, dos danos que podem causar e já causaram e principalmente dos lucros absurdos que alferem como mencionado anteriormente. Não pense você que ela faz esse tipo de investimento por vontade própria, por ser uma empresa “boazinha”. Esses investimentos devem ser vistos como compensações a esses riscos e danos. Ela os faz por mera exigência, ou por órgãos ambientais licenciadores, ou pelo poder da opinião pública, da mídia. Puro marketing.

É uma vergonha para o país e para a humanidade, uma empresa desse porte só tomar conhecimento e repudiar o trabalho escravo depois que o problema surge na mídia. Se não tivesse sido exposto, o problema continuaria a ser ignorado ou camuflado e tudo bem. Seria mais um ato escondido no meio de tantos que devem ocorrer corriqueiramente nessa empresa e em tantas outras pelo Brasil a fora. Tenho certeza, que com os diretores e funcionários da Petrobras isso não ocorreria de forma alguma. Afinal de contas, o petróleo é deles. Mas o tempo continuará a desvendar as mazelas da falsa ecologização empresarial brasileira. É só aguardar.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Crime - E você pensava que não existia mais escravidão!


Somente no primeiro semestre desse ano, o Grupo Especial de Fiscalização Móvel do Ministério do Trabalho e Emprego resgatou 2.269 trabalhadores de condições análogas a de escravo, em 54 ações realizadas em todo país. Formado por auditores fiscais do trabalho, procuradores federais e policiais federais, o grupo visitou 96 propriedades de janeiro a junho. De acordo com o balanço divulgado nesta terça-feira pelo Ministério do Trabalho, a fiscalização resultou no pagamento de R$ 3,5 milhões em indenizações trabalhistas.

O Pará é o estado com o maior número em denúncias e libertações de trabalhadores. No estado foram realizadas 15 operações no primeiro semestre, com 426 trabalhadores resgatados.

A exploração escrava moderna se caracteriza por fatores bem específicos, tendo o cerceamento da liberdade do trabalhador, seja por não oferecer condições
de locomoção ou mantê-lo sob vigia, obrigá-lo a trabalhar por dívida, submetê-lo a jornadas exaustivas ou a condições de trabalho degradantes, hipóteses que caracterizam o trabalho análogo ao de escravo. O uso de mão-de-obra análoga a de escravo é proibida pelo artigo 149 do Código Penal Brasileiro.


As situações mais comuns encontradas pelos auditores são a falta de alojamentos adequados e sem a mínima higienização e conforto, a não utilização de equipamentos de segurança, a carga horária excessiva, e a cobrança no salário do trabalhador das despesas com comida, equipamentos de segurança, remédios, alojamentos e outras necessidades básicas que devem ser de re
sponsabilidade do empregador. A dívida do trabalhador com o empregador é a forma mais comum de servidão. Como ele acredita que deve ao patrão, trabalha para quitar essa dívida que nunca é saldada, pois a cada mês ele adquire mais despesas.

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quarta-feira, 25 de junho de 2008

Meio ambiente - A bóia-fria do etanol brasileiro


Recentemente, a Organização das Nações Unidas (ONU) reconheceu que parte da resistência ao uso do etanol vem da oposição dos interesses ligados ao petróleo. Na última segunda-feira (23), o secretário-executivo da Convenção da ONU para Mudanças Climáticas, Yvo de Boer, ressaltou que o etanol brasileiro não gera desmatamento e é sustentável, mas criticou os biocombustíveis de outras fontes. Para ele, apenas o etanol que seja produzido de forma sustentável fará parte de uma solução final para garantir a redução de emissões de gás carbônico no mundo. Admitiu ainda que o assunto não é bem recebido pelos produtores de petróleo.

O presidente Lula, como bom mercador é claro, não cansa de defender o etanol brasileiro e dizer que os "dedos apontados contra a energia limpa dos biocombustíveis estão sujos de óleo e de carvão". Os ufanistas, sempre muito animados com o etanol brasileiro, só se esquecem de assumir o maior problema que afeta o setor: a desumana exploração da mão-de-obra. A imensidão de lavouras de cana foi formada e é colhida anualmente, graças às mãos de milhares de trabalhadores rurais temporários explorados, em pleno século XXI, de forma bárbara. São os conhecidos “bóias-frias”, nome dado pela parca refeição diária, que na hora do almoço já se encontra fria. A escravidão é nítida ainda hoje e o setor é um dos que mais contribuem para a procrastinação desse terrível mal.

Esses trabalhadores sofrem com as péssimas condições de trabalho, falta de assistência e proteção, alimentação inadequada, transporte desumano, excesso de horas trabalhadas, remuneração indigna, falta de capacitação profissional, dentre outras mazelas. Muitos produtores e usinas melhoraram o sistema de colheita nesses últimos anos, porém, com isso, não deixaram de afetar a vida dessa gente, que foi dispensada pela mecanização das lavouras e hoje continua vivendo em condições degradáveis, sem capacitação, educação e condições básicas necessárias para conseguir um novo emprego e melhorar a condição de vida.

O etanol brasileiro, sem dúvida tem suas vantagens, mas também desvantagens da forma como tem sido produzido nos dias de hoje. Como vantagem incontestável, temos a característica de ser um produto derivado de uma cultura renovável. A isso agrega-se uma outra vantagem imbatível, que é a enorme extensão de terras agricultáveis que o país possui, e que o deixa confortável por não interferir na produção de alimentos (muito contestada de forma infundavel pelos concorrentes). Isso vem fortalecendo a independência do país em relação aos combustíveis fósseis, outro grande triunfo. Porém, a influência da monocultura, do inadequado uso do solo, das queimadas na época de colheitas e, principalmente, a vergonhosa forma escravagista de exploração da mão-de-obra que insiste em assolar o setor, são questões que continuam sendo deixadas de lado pelos entusiastas do etanol. A escravidão é, sem dúvida, a pior das mazelas que poderia se permitir no sistema de produção desse biocombustível. É inadmissível que isso ainda ocorra nos dias de hoje. A persistir essa situação, insistir na produção de etanol no Brasil é uma verdadeira fria. Ao contrário do que afirmou o secretário-executivo da ONU, podemos afirmar que, nos moldes atuais, o etanol do Brasil é insustentável.

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