Luiz Carlos Azenha, conceituado jornalista, produziu um documentário sobre a questão muito divulgada na mídia ultimamente, o caso da Reserva Indígena Raposa Serra do Sol em Roraima,veiculado na TV Cultura de São Paulo. A área foi demarcada durante o governo de Fernando Henrique Cardoso e homologada há três anos, em 15 de abril de 2005, pelo atual governo.

Segundo a FUNAI, lá vivem cerca de 19 mil índios (número contestado pelos agricultores que alegam ter no máximo 7.000 índios), a maioria deles da etnia macuxi. Junto com os índios, estão os não-indígenas constituídos por pequenos produtores rurais, comerciantes e sete grandes rizicultores (sendo dois arrendatários) que iniciaram a ocupação da região nos anos 70 e hoje representam um dos setores mais importantes da economia do Estado. A rizicultura representa hoje 40% da produção agrícola de Roraima. O arroz irrigado produzido em Roraima está alimentando hoje uma população de aproximadamente dois milhões de pessoas, no Amazonas, Pará e Amapá, além do próprio estado de Roraima. A atividade dá emprego direto para duas mil pessoas e indiretos para seis mil pessoas. No coração de todo esse sucesso agroindustrial está o trabalho de 20 anos de pesquisa da Embrapa Roraima (empresa estatal de pesquisa agropecuária), que já recomendou várias cultivares (Fonte: EMBRAPA). A safra 2007/2008 plantada numa área de 24 mil hectares, está estimada em 152.400 toneladas, representando uma produtividade média de 127 sacas de arroz por hectare.

Com a demanda por alimentos aquecida, os agricultores calculam que teriam mercado garantido no Estado e na Bacia Amazônica, se triplicassem a capacidade de beneficiamento. Mas em vez de aumentar, as empresas poderão ser, em breve, forçadas a reduzir em 50% a quantidade de arroz que beneficiam. Ainda segundo eles, se saírem da área, terão um déficit considerável de oferta de arroz a ponto de precisarem comprar arroz de outros estados. Todo o arroz consumido no estado vem hoje dos produtores locais. Os rizicultores, segundo o governo do estado, representam 6% do PIB de Roraima (R$ 3,2 bilhões). Em 2007, o setor teve faturamento de R$ 51 milhões.

A notificação para que os agricultores saíssem das terras é datada de março de

Não vou aqui defender nenhum dos lados, mas o que mais me intriga nessa história toda é que os arrozeiros ocupam menos de 1,5 % da área destinada à reserva. Pelo que vemos nos mapas, a área é rica em recursos hídricos e mesmo esses 1,5 % se concentrando às margens do Rio Surumu, restam milhares de hectares inexplorados às margens do mesmo rio e de toda a bacia hidrográfica da região. Porque será que esses 1,5 % de terras representam tanto na discussão da questão? Estão procurando visibilidade às custas dos arrozeiros, ou essas são as únicas terras valiosas lá existentes? O restante dos 98,5% não valem o que valem os 1,5 % dos arrozeiros? Temos que lembrar também, que os arrozeiros lá instalados, não simplesmente são plantadores de arroz. Além de plantarem o arroz, esses produtores implantaram toda uma infra-estrutura de beneficiamento, um pólo agro-industrial único naquele estado. Não é chegar lá e tirar alguns agricultores. É desarticular toda uma enorme estrutura de produção que emprega muita gente, inclusive indígenas. Hoje, várias vilas dependem diretamente da atividade, sem contar que, durante essas últimas décadas, a miscigenação entre indígenas e não-indígenas foi enorme. Não-indígenas têm parentes indígenas e, havendo a homologação contínua, obrigatóriamente os não-indígenas teriam que se separar se seus parentes indígenas, pois assim rege a lei.

Além da questão ambiental, alegam que a demarcação tem que ser contínua para garantir o intercâmbio cultural das diversas etnias ali existentes. Pelo que se vê, e o próprio agente do governo afirma na reportagem, é que a descontinuidade hoje existente não influenciou negativamente na densidade demográfica indígena, consquentemente, podemos deduzir que nem no intercâmbio cultural. A população continua crescendo. Cresce 06 vezes mais que a média nacional! Porque será que vai influenciar daqui para frente? Uma indígena aculturada, membro de uma das ongs, alega que em 21 anos, 20 índios foram mortos na região, menos de 01 por ano, e considera isso extermínio. Que extermínio é esse? Estão achando que somos o quê? Ignorantes? Tolos? Em qualquer cidade do país os índices de violência são infinitamente maiores que esses apresentados pela indígena. Não estou aqui para fazer apologia ao extermínio de índios! Pelo amor de Deus! Luto pela justiça social e ambiental. Mas o que é isso? Que argumento mais doméstico!


Enfim, além do que menciono acima, há muitos outros argumentos inconsistentes em todo o processo.
Para ver o lado dos índios, vale a pena visitar o site do Conselho Indígena de Roraima - CIR.
O documentário do Azenha está dividido em 7 partes que você pode ter acesso no site do YOUTUBE.
Certamente, o material vai contribuir para a formação de sua opinião. Bom proveito.