

Segundo a cientista, a Eco 92, conferência da Organização das Nações Unidas realizada no Rio de Janeiro, trouxe esperanças de mudanças reais de atitudes que não se concretizaram cinco anos depois, em Kyoto. O panorama histórico explicaria isso. Em 1992, os Estados Unidos estavam envolvidos e distraídos com a primeira guerra do Golfo. Cinco anos depois, eles já se apresentavam como a única potência mundial. Esse unilateralismo norte-americano enfraqueceu o multilateralismo “periférico” vigente até então. Além dos Estados Unidos, outros interesses também determinariam o destino da reunião de Kyoto.
Com medo da criação de uma taxação para conter emissões de gases causadores do efeito estufa, a iniciativa privada teria se adiantado e apresentado a proposta do mercado mundial de carbono, conforme conta a geógrafa.
Mercado de carbono foi criado para mascarar problema
A vontade do empresariado teria prevalecido e gerado as bolsas de carbono, em que são negociados créditos referentes a esse gás. Cada tonelada de dióxido de carbono não emitida ou seqüestrada da atmosfera em países não-desenvolvidos gera um crédito de carbono, comprado por empresas dos países desenvolvidos para compensar suas próprias emissões e, com isso, cumprir a meta exigida pelo protocolo: reduzir as emissões desses gases de modo que em 2012 elas sejam 5% menor que a quantidade registrada em 1990.

Participação da sociedade
A professora da Universidade de Milão também criticou a ausência nas negociações de Kyoto de propostas que previssem taxação sobre o petróleo.
Segundo ela, seria muito simples. O recolhimento das taxas formaria um fundo internacional que financiaria as mudanças para fontes mais limpas de energia. Outro ponto negligenciado no protocolo foram os países produtores de petróleo que mantêm uma economia dependente do produto e não assumiram compromissos de mudança.
Como solução, a pesquisadora aposta na participação da sociedade civil, que até agora teria se mantido à margem das discussões. No caso de Kyoto, a resposta ao problema ambiental do aquecimento foi entregue ao sistema financeiro que, segundo ela, não resolve o problema e ainda procura ganhar dinheiro com isso. A sociedade civil tem que se levantar e retomar elementos importantes que estão sendo desapropriados, como água, ar e as diversas formas de vida.
Mais uma vez os interesses financeiros de grandes potências e meia dúzia de empresários se sobrepõem aos interesses da comunidade global, da grande maioria composta de desfavorecidos e eternamente explorados. Quantas lâmpadas fluorescentes e automóveis terão que ser produzidos, quanto petróleo terá que ser queimado, quantas palestras milionárias serão dadas mundo a fora, quantos milhões de equipamentos de informática serão descartados de forma criminosa diariamente, quanto dinheiro será depositado nas contas desse cartel de políticos e empresários inescrupulosos, até quando todo tipo de picaretagem em “prol do meio ambiente” continuará a existir, para que a sociedade abra o olho em relação ao consumo, aos problemas ambientais que afetam o planeta e as tramóias dessa gente que se utiliza desses problemas com o mero intuito de continuar enriquecendo e gerando fome na maior parte do mundo? Até quando?